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terça-feira, junho 16

Nao-Lugar ao Sol






Natureza versus Cultura, a antiga discussao.
Acho que nao so borramos essa fronteira completamente, como ela mudou de lugar, foi deslocada para um outro eixo da questao do homem contemporaneo.

Ando perseguindo esse conceito de nao-lugar proposto por Marc Auge', em sua Antropologia da Supermodernidade.
Ainda nao consigo abarcar completamente o conceito de Supermodernidade, mas gosto da sonoridade da palavra, a ideia de movimento e velocidade empregada na situacao do mundo atual.

Supermordenidade seria cultura para o Antropologo Frances, e os nao-lugares estariam diretamente em oposicao a “toda uma tradicao etnologica de uma cultura localizada em um tempo e um lugar”.

Talvez esse conceito fisico-espacial em Auge' se relacione com Lipovetsky quando fala do consumo como territorio da supermodernidade, os servicos, as ofertas,cambios afetivos e bens imateriais como itens de primeira necessidade.

O que passa na verdade e’ que a ideia de nao-lugar nao se relaciona em nada com o ermo, o nao habitado, o sertao por exemplo.

E teria estado o “Sertao” (a obra, 2003) algum dia relacionado ao nao-lugar?

Talvez sim. E agora talvez o “Itens” seja o mesmo nao-lugar deslocado para esse lugar da supermodernidade, superhabitado, supercontaminado, overloaded.

Espaco como “lugar praticado” (michel de Certeau).
E ainda tem a distincao do Auge' entre “lugar geometrico” e “lugar antropologico”, considerado esse ultimo como “espaco existencial”, “lugar de uma experiencia de relacao com o mundo de um ser essencialmente situado em relacao com um meio” .

E presinto como estando absolutamente conectado – ou sendo a mesma coisa – que o espaco do entre, que talvez fosse tambem o lugar invisivel das linhas abissais do Boaventura, que talvez seja ate a terceira margem do Guimaraes.

Margens moveis, talvez mais ate do que intermediarias.
Margens em schift permanente, em mudancas de niveis, na tal total complexidade do mundo.

E ai a coisa complica, porque me leva aas questoes de como formatar o espaco do espectador, ou da-lhe o espaco da experiencia em si. Seria como te-lo inserido nesse espaco e nao mais apresenta-lo ao espaco da representacao, do significante.

O conteudo eu diria, ja esta totalmente imbricado no formato, no meio de. O corpo nao mais se separa (quanto maneira de se dar a ver e arquivo psicotico de informacoes) do espaco, o corpo passa a ser o espaco, e ai tenho que desconsiderar essa separacao entre os dois.

E isso me leva pra irmandade etica versus estetica, impressionante essas convencoes de dualismo/dicotomia a priori engesadas em nossa maneira de pensar, por seguranca talvez.

E onde entra a “riatualizacao” da experiencia individual (do interprete e do espectador) transformada em coletividade na acao artistica?
No pacto da “representacao” ou em um possivel des-angular na percepcao dos dois, o que emite e o que recebe?






1 comentários:

fabio disse...

eu tenho a impressão de um não lugar dentro de mim, acionado atraves de lembranças, desejos e sensações...são relacionadas com o passado( experiencias ja passadas, desejo de retomar determinada energia interessante que ficou guardada no campo das memorias), e tambem relacioanadas com o futuro( desejo de perpetuação dessas energias ja experienciadas ou mesmo o desenvolvimento delas)...acho que o sertão me despertou essa ideia de não lugar, levando em consideração tua reflexão, no sentido de estar num pais que nao era meu e tentar guardar emoções de um lugar real vivido e habitado por mim, era como estar fabricando uma emoção e tentando coloca-la naquela realidade, que por sua vez tinha toda a consciencia de saber que aquela realidade iria se finalizar na hora de voltar pra casa..era como se so existisse potencialmente...pra mim, ate agora, lendo teu post, o não lugar e uma dimensão obscura e constantemente revisitada dentro de cada um de nos...diferente do não lugar por exemplo, geografico de um espaço delimiotado...como o espaço entre os dois muros em berlim, que inclusive era chamado de "terra de ninguem".Que ao meu ver deve ser levado em consideração no sentido de completar um quebra-cabeças de duas peças...e com as relações interculturais, acesso a outras culturas e criação de laços afetivos a distancia, esse não lugar se enfatiza cada vez mais dentro de mim, como se tudo na vida virasse um grande e enorme desejo...e tudo para ai! no grande e enorme desejo de estar onde não se está.