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terça-feira, junho 30

Dance and (very much of) Her: Farewell Pina! And Thanks!















“Sai desse primeiro dia mudo, sem entender nada, mas entendendo que alguma coisa tinha passado comigo.
Dia seguinte, voltei para ver o outro programa com a sensação de quem vai a um lugar proibido, como uma criança que vê um filme que ainda não pode ver. (Eu tinha 18 anos e, nesse tempo, o Brasil tinha censura). Achando que sabia o que ia acontecer com a tal cia. Estrangeira, me deparei com Kontakthof, uma peça bastante longa, uma peça que não parecia com teatro, nem dança, nem coisa nenhuma, mas que me deixava incomodado, ou intrigado, na verdade me deixou num estado que nunca tinha estado antes, um abismo, uma vertigem, um buraco sem volta. Na peça eu via os bailarinos do dia anterior agindo normalmente e pra mim era como se estivessem "traindo" a dança, porque não dançavam, nem usavam roupas de dança, nem seguiam a música. Eles caminhavam em linhas retas, mostravam as unhas e os dentes, ficavam sentados por horas como que esperando por nada. Tudo mudava sem que se pudesse prever como e porque, e isso me deixou num estado de excitação absoluto, eu fui entrando na coisa, fiquei querendo mais e mais, e a peça era longa, eu já estava lá por mais de duas horas. Saí do teatro e fiz grande parte do caminho de volta pra Copacabana a pé, pra digerir, pensando no movimento dos braços dos bailarinos fazendo coisas simples, os braços e a relação deles com o quadril, o cotovelo, o torso, as pernas que pareciam mover como braços. Fiquei muito impressionado com aquelas imagens, passei semanas pensando naquilo, que não era dança e também não era teatro.”
Marcelo Evelin

“No inicio dos 80, ela, de certa forma, abriu uma porta, apresentou possibilidades estéticas e de conteúdo. Acho que ela simplificou essa coisa de mostrar, se mostrar no palco. Tinha uma coisa antenada com o que se passava no mundo, e tinha muito rigor e elegância. (...) Ela já falava de multiculturalismo, de corpo como sujeito, permitindo tudo, alterando, quebrando padrões. E o mundo foi caminhando pra isso, e o Brasil também, claro.”
Marcelo Evelin

(citacoes da tese de mestrado (PUC-SP) de Paula Petreca sobre a obra de Pina Bausch, em entrevista concedida em 05 de janeiro de 2008)

2 comentários:

Feedbr100% - Suplemento Cultural - Brasil disse...

Olá Marcelo!!!

Te encontrei por acaso no Fb e te deixei um convite de adição. Sou a Cristina e tu ficou na minha casa, quando tu veio dar um curso para o Cena 11, acho que em 98... Faz tempo...

Fiquei contente de saber que estás no Brasil e Letícia já havia falado que estás fazendo um excelente trabalho aí onde vives. Deixo-te aqui o link do Suplemento Brasil e nesse mês de Novembro a edição foi sobre dança. Há um texto de Letícia.

Um beijo e muitas coisas boas para ti!!!

Cristina

Meu link para o FB é:

http://www.facebook.com/profile.php?id=1709576417

Sunny Jewellery disse...

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